Você sabia que gatos podem ser doadores de sangue?

Assim como o ser humano, os gatos podem ser doadores de sangue. Hoje, essa prática vem se tornando muito comum e salvando diversas vidas. Porém, essa ação ainda não se tornou uma prática entre os tutores de animais e quando um gatinho chega ao veterinário necessitando de doação, não há bolsas de sangue suficientes para salvá-lo.
A fim de evitar essa cena trágica para o felino enfermo e sua família, os passos para ser um doador são fáceis, o gato precisa preencher os seguintes requisitos: ter o peso maior ou igual a 4,5 kg, mas sem ser obeso, deve estar saudável e, no caso das fêmeas, não podem estar no cio ou prenhes. Também é necessário ter entre 1 a 8 anos de idade, estar vacinado e vermifugado. Um detalhe importante é que o gato não pode ter realizado transfusão anteriormente.
 
Como é realizado o procedimento?
É coletada uma amostra de sangue do doador a partir da qual serão realizados os exames hemograma e sorologia para o vírus da leucemia felina (FELV) e para o vírus da imunodeficiência felina (FIV). Uma curiosidade é que felinos possuem 3 tipos sanguíneos A, B e AB, portanto a chance de o receptor ter reação com a transfusão é maior do que nos cães, por isso é realizado exame de compatibilidade sanguínea. Após a confirmação do estado de saúde do doador, ele é acomodado num ambiente calmo e tranquilo onde será feita a tricotomia, isto é, a raspagem dos pelos na região do pescoço. Eles são sempre sedados durante os procedimentos, pois felinos costumam ficar agitados nessas situações. Com o auxílio de uma agulha, será feita a coleta do sangue pela veia jugular. É um procedimento rápido e pouco doloroso. O volume total do sangue coletado é proporcional ao seu peso, ou seja, 20 ml por kg. Após a doação, os gatos precisam esperar passar o efeito da sedação e assim serão liberados.
Com uma boa quantidade grande de sangue estocado, mais animais poderão ser salvos. Os tutores do gatinho que realizar a doação precisam buscar um veterinário de confiança cuja clínica já seja conhecida, pois assim é garantido que o pet não adoecerá uma vez que o procedimento seja feito de forma correta. A tecnologia é uma grande aliada para salvar vidas, pois ela permite transformar uma bolsa de sangue em outras três: uma com concentrado de plaquetas, outra com concentrado de hemácias e a terceira com plasma. O tempo de conservação e estocagem desse material aumentou e pode variar de 21 dias a um ano.
 
 
Bianca Pechinin, médica veterinária da Chanelle Pet Boutique, especializada em Zooterapia, atuante em clínica médica e cirúrgica de pequenos animais e zooterapeuta (terapia com auxílio de animais)