Amor eternizado na pele.

Se gravar o nome do parceiro amoroso pode ser incerto, imortalizar o fiel companheiro felino não é.

Gateiros e gateiras descobrem na tatuagem uma forma de demonstrar seu amor por seus gatos

Foto meramente ilustrativa de Myriams_Fotos por Pixabay

Compartilhar cinco fotos por dia dele, escrever toda semana ao menos um textão no Facebook expressando por que ele é a melhor companhia da vida, mimá-lo e acariciá-lo durante horas: tudo isso não é o bastante para declarar o amor que muitos sentem pelos seus gatos. É preciso mais, é necessário marcar na pele, fazer uma tatuagem. Se gravar o nome do parceiro amoroso pode ser incerto, imortalizar o fiel companheiro felino não é. Afinal, trata-se de uma paixão sem riscos e de amor mútuo. “Não hesitei em me tatuar, assim que obtive condições financeiras de fazê-la, não perdi tempo. Dessa maneira, mesmo depois que ele partir, vou ter a imagem sempre comigo. Acredito que não haveria homenagem melhor que essa”, diz a consultora de vendas e cat sitter, Cláudia Silva, de Novo Hamburgo-RS. Ela homenageou Coda, seu gato, com uma tatuagem nas costas e, em um futuro breve, também pretende tatuar sua outra gata, a Nala. Além da tatuagem, não lhe faltam artigos com temática felina: quadros, xícaras, sapatos, camisetas, acessórios, fantasias, ao todo são cerca de 50 itens. “As pessoas normalmente me presenteiam com objetos com temática de gatos”, ri a gateira.
Já a analista de sistemas Bárbara Di Lena, de Santo André -SP, escolheu o braço para homenagear sua gatinha Mel. Com um desenho mais minimalista, mas não menos fofo, a ideia foi registrá-la em seu corpo de uma maneira que pudesse carregá-la por onde fosse. “É uma forma de marcar o amor que eu sinto por ela e o carinho que temos uma pela outra. Eu queria eternizá-la”, conta. Ela ainda tem uma pintura da felina e outros artigos temáticos, como anéis, vestidos e camisetas com estampas de bichanos.

Arquivos de Anderson Augusto, Claudia Silva e o Bárbara Di Lena respectivamente.


O consultor comercial Anderson Augusto Domingues, de Itaí-SP, também exibe com orgulho a tatuagem de seu gato, Panda. Seu braço carrega a imagem do felino, que foi homenageado após surpreender seu dono, quando sobreviveu aos efeitos de um forte veneno. O animal apareceu em sua casa vomitando e muito debilitado, com todos os indícios de ter ingerido algo tóxico. Sentindo-se muito mal, o felino saiu de sua casa e se escondeu em um terreno vizinho. No dia seguinte, Anderson o encontrou desmaiado e pensou que ele estava morto. Porém, após chorar o dia inteiro, o tutor recebeu a notícia: “Às 18h30 minha vizinha me liga e diz que ele apareceu miando, cheio de fome e sede. Fui correndo para ver se era ele mesmo. O mais emocionante é que eu reconheci o miado dele pelo telefone”, conta. “Ele parece ter alma humana, sinto algo forte nele”, diz.

Miados pelos estúdios

Bárbara, Cláudia e Anderson não são exceções no uso dos amantes de tattoo. Pets sempre fizeram sucesso entre as opções de tatuagem, porém, nos últimos 5 anos, observa-se um aumento da procura de tais desenhos. “Acredito que, como a tatuagem tem se tornado cada vez mais comum, atingindo todas as classes sociais e sem restrições de idade, as pessoas se sentem mais livres para expressar o que amam em sua pele”, analisa a tatuadora Samantha Sam, sócia-proprietária do estúdio Sampa Tattoo, de São Paulo-SP.

Arquivo Samantha Sam_Desenho minimalista


Muitos gateiros desejam homenagear seu bichano, mas não querem nada muito grande, então optam por desenhos minimalistas, mais simples e rápidos de fazer, geralmente com apenas o contorno do animal ou suas patas. Por outro lado, Samantha ressalta que tem feito muitas tatuagens personalizadas, inspiradas em fotos dos gatos de seus clientes. “São tattoos um pouco maiores, coloridas ou sombreadas, e que têm mais detalhes.” Ela revela, ainda, que é muito difícil a carga emocional não interferir no processo de criação do desenho e na execução do trabalho. “Quando o cliente chega falando que quer tatuar um gato meu coração já dispara”, ri a tatuadora, que também possui um bichano.

Moda gringa

Em Nova Iorque, a gateira Betty Rose fez sua primeira tatuagem quando ainda era adolescente. O desenho? Sua gata Patches. Companheira, a felina sempre esteve ao seu lado, independentemente dos momentos difíceis pelos quais a tutora passava, como quando ficou deprimida.
Desde então, seu amor pelos felinos e pela arte só cresceu. Após tatuar um bichano na perna de seu marido, as pessoas começaram a se interessar pelo seu trabalho que homenageava os bichanos. Então surgiram os pedidos de desenhos e quadros sob encomenda até, enfim, se tornar tatuadora profissional, em 2004.
Orgulhosa de fazer suas “cattoos”, termo utilizado para designar tatuagens de temática felina, ela se tornou referência em seu ramo quando o assunto são bichanos. Muitas pessoas a procuram para homenagear seus animais em seu estúdio e, assim como no Brasil, isso tem se tornado cada vez mais tendência nos Estados Unidos, segundo Betty. Ela diz que, apesar de já ter feito inúmeras cattoos em sua carreira, recentemente tem observado um volume maior de clientes que desejam tatuar desenhos que fazem referência aos seus animais. “Os pets se tornaram parte tão grande na família americana, que muitas vezes as pessoas escolhem a tatuagem para honrá-los”, constata Betty. O reflexo disso é que, atualmente, ela tem feito ao menos uma cattoo por semana em seu estúdio.
Além de estarmos ainda mais próximos dos pets, a tatuadora acredita que o crescimento deve-se também à internet, que auxilia a popularizar as tatuagens e disponibilizar maior quantidade de desenhos como fontes de inspiração. “Muitos dos meus amigos e colegas profissionais também têm
feito cattoos. Contudo, acho que uma coisa me diferencia: o meu intenso amor pelos felinos. Eu sou a essência da cat lady”, enfatiza Betty, que coleciona seis cattoos em seu corpo, sendo que a maior, um desenho de três gatinhos, cobre quase todas suas costas.

Vontade de tatuar

Ficou com vontade de homenagear seu gato com uma tatuagem? Muita calma! Primeiramente, é necessário estar convicto do que quer. Samantha alerta que é muito importante considerar que a tatuagem é definitiva, uma lembrança para o resto da vida. “Eu tatuei meu gato em mim e ele está vivo, tem 10 anos, e eu sei que um dia ou outro ele irá partir, porém eu vou ficar muito feliz em continuar levando-o em meu braço para sempre.” Contudo, algumas pessoas podem se arrepender e sofrer ainda mais ao ver a tatuagem do felino depois de ele partir. Há, ainda, aqueles que preferem fazer homenagem póstuma. “É legal pensar em todas as possibilidades, mas tenho certeza de que quem já sentiu o amor de um gato não corre o risco de se arrepender de ter feito uma homenagem a ele!”, finaliza a tatuadora.

Aconteceu no estúdio Sampa Tattoo, com o apoio da ONG Hopet, o 1° Pet Day Tattoo, no dia 1 de maio. O evento beneficente reuniu tatuadoras para ajudar entidades cuidadoras de animais abandonados.
As profissionais levaram desenhos prontos com temática pet para os visitantes tatuarem por valores promocionais. As tatuagens custavam de R$150,00 a R$250,00. Além disso, os participantes também tiveram a oportunidade de tatuar a patinha de seus animais, como se fosse um carimbo. Para obter desconto de R$50,00, bastava doar 5 kg de ração.
A renda do evento foi revertida para a compra de alimentos e medicamentos para os pets, além de ajudar os animais abandonados a encontrarem um lar. O evento, que contou com cerca de 600 visitantes, teve ainda outras atrações, como food trucks, e venda de produtos.

Nossos agradecimentos aos participantes da matéria por Júlio Mangussi.


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